6 Certo dia os anjos vieram apresentar-se ao Senhor, e Satanás também veio com eles.
7 O Senhor disse a Satanás: “De onde você veio?” Satanás respondeu ao Senhor: “De perambular pela terra e andar por ela”.
8 Disse então o Senhor a Satanás: “Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal”.
9 “Será que Jó não tem razões para temer a Deus?”, respondeu Satanás.
10 Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz, de modo que os seus rebanhos estão espalhados por toda a terra.
Esta é uma questão muito importante para o cristão. Para respondê-la, temos que regressar às noções básicas da existência humana em um estado caído. A coisa mais básica de todas é que Deus é Deus. Isso significa que ele governa todo o universo sem precisar fazer muito esforço, com pleno controle de todas as suas criaturas e todas as suas ações.
Do outro lado temos
Satanás, um anjo caído e seu exército de demônios submissos, que também são
anjos caídos; diferente da situação dos seres humanos caídos, não há provisão de
salvação para eles, mas eles possuem um papel importante no propósito de Deus,
especialmente em relação à santificação do seu povo salvo.
Sua natureza é
totalmente má, e ele é incapaz de mudá-la ou reprimi-la. Ele pode ser
totalmente dependente de agir de acordo com a sua natureza. Isso é muito
importante.
A boa notícia é que Deus controla Satanás de
maneira total e absoluta. É por isso que não vivemos em um mundo em que o mal
está totalmente fora de controle, mas em um mundo em que ele é controlado.
Abrir o jornal diariamente, folheá-lo e perguntar a nós mesmos se “esta foto
que está diante de mim é uma foto de um mal absoluto ou de um mal sob
controle?” é um bom exercício para nós. A evidência fala por si só. A verdade
básica é que Satanás não pode fazer qualquer coisa sem que Deus lhe permita.
Chegamos, agora, à questão: Por que será que Deus
deixa Satanás fazer todo tipo de coisa? A resposta? Porque há uma grande obra
em curso neste mundo. O que chamamos de “tempo”, é um tempo precioso. Isso vale
para o descrente e para o crente. Devemos ser salvos no tempo, santificados no
tempo – exceto no último estágio, quando vermos a Cristo.
Satanás não está
envolvido em nossa salvação – a não ser para fazê-la descarrilhar, caso lhe
fosse possível –, mas está muito envolvido em nossa santificação. Somos
santificados principalmente através de provas e aflições. Há ocasiões em que
Deus, de acordo com sua perfeita sabedoria, dá a Satanás acesso ao cristão, não
como castigo, mas a fim de levar adiante o seu propósito de santificar seus
filhos em preparação para o céu.
Não faríamos dessa maneira, mas os caminhos de
Deus não são os nossos. Em tudo isso ele estabelece os limites do que Satanás
pode fazer. Se lermos os capítulos 1 e 2 de Jó, veremos com a máxima clareza
que este é o caso.
Portanto, às vezes Deus dá a Satanás uma porção
incrível de liberdade, dentro dos limites que ele mesmo estabelece. Satanás não
pode ultrapassá-los, mas vai explorar ao máximo o alcance que lhe é dado por
causa do seu ódio aos cristãos e a tudo o que é bom. Ele não pode agir contra a
sua natureza; ao contrário, tem de deixá-la seguir o seu curso natural.
Sua
natureza compulsivamente má torna impossível para ele dizer: “Se eu fizer isso,
estarei ajudando o avanço da obra de Deus. Então eu não vou fazer”. Ele serve a
Deus, não em alegre obediência, mas sob o tormento da compulsão. Isso
continuará até que Deus não tenha mais nenhuma função para ele.
Ele é, então,
lançado no “lago de fogo” (Apocalipse 20.10).
Até lá, Satanás terá acesso ao corpo, mente,
propriedade, reputação, casamento, família, negócios e outras coisas mais do
cristão conforme Deus lhe der acesso, mas nem um pingo a mais. Deus é Deus.
“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (Filipenses 4.7).
Nota : O acesso ao
qual se é referido não é, necessariamente, “ler a mente do cristão ou
colocar pensamentos de maneira direta na mente dele”, mas poder tentá-lo
através de pensamentos pecaminosos, sob o limite da divina soberania.
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