sábado, 7 de março de 2020

Em que sentido o castigo dos ímpios será eterno?

Muitas pessoas associam o “castigo eterno” (Mateus 25:46) com a crença popular de um inferno no qual os ímpios serão queimados por toda a eternidade. Mas, sendo assim, por que o pecado, que não é eterno, teve um início mas nunca poderá ter fim? Por que uma criança que viveu apenas 12 anos neste mundo e morreu deveria ser submetida às chamas torturantes do inferno por toda a eternidade, à semelhança dos maiores criminosos da História? Não estaria essa crença medieval distorcendo o conceito bíblico de um Deus justo e amoroso?
É certo que a Bíblia relaciona o “castigo eterno” dos ímpios com o “fogo eterno” (Mateus 18:8; 25:41) ou “fogo inextinguível” (Marcos 9:43) que os haverá de destruir após o milênio (Apocalipse 20:7-15). Mas esse fogo será “inextinguível” no sentido de que não se apagará enquanto não houver cumprido completamente a sua missão destruidora. Será “eterno” em suas conseqüências. Aqueles que forem por ele destruídos jamais voltarão à existência. Judas 7 coloca a destruição de Sodoma, Gomorra e das cidades circunvizinhas (ver Gênesis 19:1-29), que não estão queimando até hoje, como um “exemplo do fogo eterno”.
“A Bíblia esclarece que a sentença punitiva de cada impenitente será diretamente proporcional às suas obras” (Apocalipse 20:11-15; ver também Mateus 25:41-46). Cristo declara, em linguagem metafórica, que alguns serão castigados no juízo final com “poucos açoites” e outros com “muitos açoites” (Lucas 12:47 e 48). E o livro do Apocalipse afirma que o diabo, a besta e o falso profeta “serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 20:10). Mas mesmo esse tormento mais prolongado haverá de os destruir completamente, não deixando deles “nem raiz nem ramo”.
“Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo.” Malaquias 4:1
O pecado e o sofrimento tiveram um início, e terão também um fim. Chegará o dia em que não haverá mais “lágrimas”, nem “luto, nem pranto, nem dor” (Apocalipse 21:4).

sexta-feira, 6 de março de 2020

Morte antes da Queda.


"A vida só passou a ter um fim depois daquela escolha errada no Éden?"

Essa pergunta parece ter uma resposta óbvia. Contudo, ela é um pouco mais complexa se pensarmos que não existe unanimidade para a definição de morte. Além disso, aparentemente a Bíblia não considera a vegetação como sendo formada por seres vivos. Portanto, ela não morre, mas simplesmente desaparece. Meu objetivo nesse texto não é definir a morte, e sim investigar se a Bíblia indica que havia morte antes da queda moral da humanidade.
  • Pecado e morte. A Bíblia estabelece uma correlação direta entre pecado, morte natural e eterna. Adão e Eva passaram pela morte como resultado de sua rebelião contra o Criador (Gênesis 2:17). Por causa da escolha deles, o pecado e a morte têm atingido toda a humanidade (Romanos 5:12; 6:23). A principal relação entre pecado e morte é a eterna separação de Deus, por ocasião do juízo final (Apocalipse 20:10, 14, 15). Para os pecadores arrependidos, porém, a morte natural é reversível, pois é um “sono” até o dia da ressurreição (João 11:11; 1 Tessalonicenses 4:13-18), quando o corpo dos crentes será redimido do poder da sepultura (Romanos 8:23; 1 Coríntios 15:53-56).
  • Criação e morte. Deus, que é a própria vida, é a única e exclusiva origem de toda a existência. Ele não criou um Universo com vida própria, mas um espaço que teve início e, teoricamente, poderá ter um fim. O Universo não emanou de Deus, não é uma extensão dEle. É Deus que, por meio da Sua presença e poder, sustenta Sua criação. Por isso, a imortalidade não é algo inerente a nenhuma criatura, senão ao Criador (1 Timóteo 6:16) que concede esse dom a quem Lhe convém. Contudo, a intenção de Deus não foi criar seres que tivessem um fim, mas sim seres que fossem eternamente sustentados por Ele. Consequentemente, não havia morte antes da queda moral de Adão e Eva.
  • Vida e morte. Ao chegar a essa conclusão, eu sugeriria que, antes da queda do Éden, a morte era conhecida apenas em nível conceitual, e não em nível experimental. Faz sentido pensar assim se, como sugeri, a criação não for auto-existente. Creio que Deus deve ter oferecido algum tipo de conscientização sobre a natureza das Suas criaturas. Isso pode soar especulação, mas não é. O conceito da morte foi introduzido por Deus antes da queda, quando Ele disse a Adão que ele morreria caso comesse do fruto proibido (Gênesis 2:17). Além disso, quando mentiu para Eva, a serpente (Satanás) não negou o conceito da morte, mas sim que a mulher efetivamente morreria. Essa é uma das mentiras mais radicais já pronunciadas por uma criatura na tentativa de equiparar um ser criado ao Seu Criador. A verdade é que a morte é o resultado do pecado, mas a vida é o resultado da morte de Cristo por todo aquele que nEle crê (Romanos 5:17).

quinta-feira, 5 de março de 2020

A Bíblia fala de quantas Ressurreições?

Apocalipse 20
Felizes e santos os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos.
A Bíblia afirma a existência de duas ressurreições. João 5:28 a 29 diz: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”. Agora, Apocalipse 20:5 e 6: “Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos”.
A Bíblia ensina que haverá uma ressurreição por ocasião da volta de Cristo, que será somente a ressurreição dos justos (I Tessalonicenses 4:16); e outra ressurreição que será após o período de mil anos, a dos ímpios (Apocalipse 20:5).
Essa segunda ressurreição (dos ímpios) não será com o intuito de dar-lhes outra chance de salvação, pois a Bíblia diz que nossa chance é apenas nesta vida (II Coríntios 6:1-2; Hebreus 3:7-8; Hebreus 9:27) e que a segunda morte não tem autoridade apenas sobre aqueles que participaram da 1ª ressurreição (Apocalipse 20:6).
A segunda ressurreição será para destruir definitivamente os ímpios: “Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu”. (Apocalipse 20:7-9).
As nações que rejeitaram à Deus, irão ressuscitar e serão enganadas por satanás e após uma tentativa frustrada de invasão à cidade Santa, serão destruídos definitivamente.
O motivo para a ressurreição dos ímpios não é lhes dar outra chance, mas em respeito a escolha que fizeram ao rejeitar a vida. Mas não haverá nenhum sofrimento eternizado, isso é contrário ao caráter de um Deus de amor. A pena permanente para o pecado é a separação eterna de Deus, a fonte da vida. Os salvos são poupados disso. Morte eterna significa não existência, em vez de sofrimento infinito.
No fim dos tempos, haverá duas classes de pessoas: os que escolheram o amor e os que rejeitaram o amor.
‘Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.
Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram”.
Então os justos lhe responderão: “Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?”
O Rei responderá: “Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram”.
Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: “Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram”.
Eles também responderão: “Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?” Ele responderá: “Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo”. E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna. Mateus 25:31-46
“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.” 1 João 4:7, 8
“Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado.” 1 João 4:12
A grande questão que precisamos responder hoje é: que escolha faremos? Essa decisão irá se refletir na eternidade.
Hoje Deus nos oferece perdão, salvação, a certeza do seu amor e sua Graça! Aceite enquanto há oportunidade, hoje é o tempo aceitável, agora é o momento da salvação!

quarta-feira, 4 de março de 2020

Deus: Existência e Presença.


"Considerando a nossa realidade finita e humana, se torna mais importante saber sobre sua presença, caráter e atuação do que sobre a origem de sua existência, já que foge ao nosso alcance".
Em Sua Palavra, Deus é apresentado como “o Deus eterno”. Esse nome abrange o passado, o presente e o futuro. Deus existe de eternidade a eternidade. Ele é o Eterno.¹
“O Senhor reina; está vestido de majestade; o Senhor Se revestiu e cingiu de fortaleza; o mundo também está firmado e não poderá vacilar. O Teu trono está firme desde então; Tu és desde a eternidade.” Salmos 93:1, 2.
“… único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.” 1 Timóteo 6:15,16
“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.” Apocalipse 1:8
“E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele”. Colossenses 1:17.
“Jeová, o Ser eterno, existente por Si mesmo, incriado, sendo o originador e mantenedor de todas as coisas, é o único que tem direito a reverência e culto supremos. Proíbe-se ao homem conferir a qualquer outro objeto o primeiro lugar nas suas afeições ou serviço. O que quer que acariciemos que tenda a diminuir nosso amor para com Deus, ou se incompatibilize com o culto a Ele devido, disso fazemos um deus.”²
“As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre.” Deuteronômio 29:29
Nenhuma mente humana pode compreender a Deus. Somos finitos e limitados por natureza. Se pudéssemos compreender a origem de Deus, não seríamos criaturas.
O Onisciente está acima de qualquer discussão. Em vez de especular com respeito a Sua natureza ou Suas prerrogativas, prestemos atenção às palavras que pronunciou: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus.” Salmos 46:10.
“Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-poderoso?
Como as alturas dos céus é a Sua sabedoria; que poderás tu fazer?
Mais profunda é ela do que o inferno; que poderás tu saber?
Mais comprida é a sua medida do que a Terra; e mais larga do que o mar.” Jó 11:7-9.
Apesar de não termos como entendê-Lo e explicar sua origem, Ele se revela a nós através de Sua Palavra, de Jesus, da natureza e do Seu Espírito. Considerando a nossa realidade finita e humana, se torna mais importante saber sobre sua presença, caráter e atuação do que sobre a origem de sua existência, já que esta foge ao nosso alcance. Ele se apresenta como “Eu Sou” e como “Deus conosco” sempre, atento ao nosso sofrimento. O Criador que colocou em nós a resiliência. Um Deus presente, que se importa, que ouve o clamor e age para o bem daqueles que o amam. Não permite que ninguém passe por algo que não tenha condições de suportar.
Disse ainda o Senhor: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento; Êxodo 3:7
Deus lhe respondeu: Eu serei contigo… Êxodo 3:12
Disse Deus a Moisés: Eu Sou o Que Sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós outros. Êxodo 3:14
Esse Deus se revela como o Amor, e ama se relacionar com a humanidade, deseja habitar em nosso coração, por isso preparou um espaço dentro de seres finitos para abrigar o Eterno.
“Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.” Eclesiastes 3:11
“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” Isaías 57:15
“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.” 1 João 4:8
“Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado.” 1 João 4:12
“A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel” que significa “Deus conosco”. Mateus 1:23
Assim como Sua origem, inexplicável também é o Seu imenso e incondicional amor por nós que teve sua expressão máxima ao dar nos dar Cristo a vida eterna através de Seu sacrifício na cruz.
“Deus deu Seu Filho unigênito para morrer por nós. … Quando nossa mente demora constantemente no incomparável amor de Deus à humanidade caída, começamos a conhecer a Deus, a familiarizar-nos com Ele. … Exatamente aqui, neste pequenino átomo de mundo, desdobraram-se as mais grandiosas cenas já conhecidas pela humanidade. Todo o universo celestial foi espectador, intensamente interessado. … Como devia Deus ser apresentado ao mundo? Como devia tornar-se conhecido que Ele era um Deus de amor, cheio de misericórdia, bondade e piedade? Como devia o mundo saber isso? Deus enviou Seu Filho, e Este devia apresentar ao mundo o caráter divino.” 4
“Mas em nossa contemplação de Cristo, estamos apenas demorando à beirada de um amor que é imensurável. Seu amor é qual vasto oceano, sem fundo nem praia.” ³

terça-feira, 3 de março de 2020

Bebida alcoólica: Jesus transformou água em vinho.

Os termos mais comuns para “vinho” no Antigo Testamento são, em hebraico, yayin e tirosh e, em aramaico,chamar. O Seventh-day Adventist Bible Dictionary, p. 1.176, 1.177, esclarece que o termo yayin é “a palavra comum para vinho envelhecido e, portanto, intoxicante (Gênesis 14:18; Levítico 10:9; 23:13), e tirosh é usado em várias passagens para designar o suco de uva fresco ou o vinho ainda não completamente envelhecido mas já intoxicante (Gênesis 27:37; Números 18:12; Deuteronômio 12:17; Juízes 9:13; Provérbios 3:10; Oséias 4:11)”. Ambos os termos hebraicos são vertidos na Septuaginta (a clássica tradução do Antigo Testamento para a língua grega) pela palavra oînos. Já no Novo Testamento a palavra comum para “vinho” é o mesmo termo oînos, que pode designar tanto o suco de uva não fermentado (João 2:9, 10)como o vinho fermentado (Apocalipse 14:8). Por sua ambigüidade, o termo deve ser interpretado à luz do contexto em que aparece inserido e do seu significado teológico mais amplo.
O fato de alguns patriarcas, como Noé (Gênesis 9:20, 21) e Ló (Gênesis 19:30-38), terem se embebedado em determinadas ocasiões não provê o endosso divino à essa prática. Existiam outros costumes antigos como, por exemplo, a poligamia, que era tolerada por Deus, mas não sancionada por Ele. O mesmo Antigo Testamento, que menciona esses casos de embriaguez, também adverte: “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio” (Provérbios 20:1). “Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco” (Provérbios 23:31, 32).
Tanto o “bom vinho”, produzido por Cristo nas bodas de Caná da Galiléia (João 2:9, 10), como o “fruto da videira”, usado por Ele na última ceia com os discípulos (Marcos 14:23-25), são considerados como sendo “o puro suco de uva” não fermentado. Descrevendo a última ceia, uma autora americana cristã, afirma:
“Acham-se diante dEle os pães asmos usados no período da páscoa. O vinho pascoal, livre de fermento, está sobre a mesa. Estes emblemas Cristo emprega para representar Seu próprio irrepreensível sacrifício. Coisa alguma corrompida por fermentação, símbolo do pecado e da morte, podia representar ‘o Cordeiro imaculado e incontaminado’” (DTN, p. 653).
Quando Paulo aconselha a Timóteo a não continuar bebendo “somente água”, mas também “um pouco de vinho”, a razão é puramente medicinal, como evidencia a explicação “por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1 Timóteo 5:23). Paulo também exorta os crentes a não se embriagarem “com vinho, no qual há dissolução” (Efésios 5:18) e aos diáconos a não serem “inclinados a muito vinho” (1 Timóteo 3:8). Alguns alegam, com base nessa última declaração, que não podemos consumir “muito vinho” fermentado, mas um pouco, sim. Porém, à luz de outras declarações de Paulo (ver 1 Coríntios 3:16, 17; 6:19, 20; 1 Timóteo 3:2, 3, 11), podemos inferir que a mera diminuição no consumo de vinho fermentado não é o ideal divino, mas apenas um paliativo que deve culminar na completa abstinência.
Em resposta aos que procuram justificar o uso moderado de vinho fermentado, Samuele Bacchiocchi afirma em seu livro Wine in the Bible: A Biblical Study on the Use of Alcoholic Beverages (Berrien Springs, MI, Biblical Perspectives, 1989, p. 248), que “adicção a algo que é intrinsecamente mau é sempre moralmente errado, quer seja moderado ou excessivo”.

segunda-feira, 2 de março de 2020

A Angústia de Amar.

O livro de Oséias conta uma história de amor constrangedora, e com base nessa história, faz clamores agonizantes e cheios de angústia ao reino de Israel, diante da sua situação de terrível apostasia. Oséias, variante dos nomes Josué e Jesus, significa “Yahweh salva”. Esse nome dá um significado profundo ao ministério do profeta, enviado por Deus para alertar Israel da destruição iminente.
O período aproximado do ministério de Oséias foi de 750 a 725 a.C., período dos reis Jeroboão II, Zacarias, Salim, Pacaías, Peca, Menaém e Oséias, rei de mesmo nome e o último de Israel antes da destruição do reino pela Assíria. Desesperadora era a condição espiritual de Israel. Além de seriamente ameaçado pelos assírios, de quem buscaram o apoio para suas confusões políticas, Israel estava afundado na idolatria desde que Jeroboão I estabeleceu o culto aos bezerros de ouro de Betel e Dã. A nação se entregou mais e mais à adoração dos falsos deuses importados das nações inimigas. O culto a Baal e Astarote (ou Aserá) caracterizavam a crescente degradação do povo, mediante sacrifício de crianças vivas e prostituição cultual, com rituais de sexo e sensualidade. A idolatria estava tão enraizada que a situação do reino do norte era desesperadora. Nesse contexto, o livro de Oséias se torna um apelo agoniado pelo arrependimento e a conversão ao verdadeiro e único Deus nos momentos finais do reino de Israel.
No capítulo 1, Deus manda que Oséias se case com uma prostituta. Oséias se apaixonou por Gômer, filha de Diblaim. O profeta foi chamado a amar alguém que já tinha uma reputação manchada pela prostituição. As mulheres já não eram tão valorizadas na cultura decadente de Israel. Essa situação se tornava ainda mais grave quando era o caso de uma prostituta, que vivia à margem da sociedade. Oséias teve com ela três filhos. Um garotinho forte chamado Jezreel (“Dispersão”), uma linda garotinha chamada Lo-Ru’amah (“Não Amada”), e outro belo varão chamado Lo-Ami (“Não Meu Povo”). Esses nomes vergonhosos teriam que ser carregados pelos filhos de Oséias porque, ao longo desses anos, o povo havia abandonado a Deus; e, depois de muito correr atrás dos seus filhos, Deus finalmente os abandonaria. Eles seriam dispersos, isentos do amor de Deus e finalmente rejeitados.
O relacionamento entre Deus e Israel é como pai e filho. Um filho não apanha do seu pai porque o pai é mau. Um filho apanha do seu pai porque ele escolheu apanhar. Afinal, depois de tantas advertências não ouvidas de que o que ele estava fazendo era errado, e resultaria numa surra, o filho estava apenas recebendo o resultado da sua escolha. Foi o que aconteceu com Israel, que recebeu essa advertência dada no Sinai e repetida ao longo de oitocentos anos.
Pelos filhos de Oséias, Deus repreendia seriamente o povo. Deus despojaria a “mãe de Israel”, ou seja, a nação de todo ouro, prata, trigo, vinho e óleo com as quais ela se prostituiu no culto a Baal. Essas eram riquezas que Deus lhe havia dado (Oséias 2:8), e agora, as reteria. Quando a “mãe” corresse, nua e envergonhada, atrás dos seus amantes (v. 10), privada e desolada até mesmo do culto a Deus, ela então se daria conta do seu desamparo total por ter-se esquecido do Senhor (v. 13). Mas, depois da dura repreensão, o Salvador a atrairia novamente, e lhe falaria ao coração (v. 14). Deus novamente se casaria com ela, e a chamaria de amada, favorecida, seu povo. Deus reuniria novamente o seu povo.
Muito provavelmente, a mágoa e a angústia de Deus pela nação de Israel, sua esposa adultera e idólatra era compartilhada por Oséias. Sozinho, com três filhos pequenos para criar, abandonado pela mulher que Deus chamou para amar, a dor e a revolta de Oséias era a mesma dor e revolta que Deus tinha em seu coração. Por isso, o capítulo 2 é um desabafo tão “passional” de um Deus apaixonado e desamparado.
O adultério de Gômer, ao voltar para a prostituição e se relacionar sexualmente com outros homens, é o símbolo do adultério espiritual de Israel, ao substituir o sagrado culto ao Deus Criador que os livrou da escravidão do Egito pelo violento e nojento culto a Baal e Astarote. É como se olhassem para o seu libertador, o doador de todas as bênçãos, o seu amigo e guia, e cuspissem em sua cara, virassem-lhe as costas e corressem para satisfazer seus desejos mais imbecis e depravados com um pedaço de madeira, metal ou pedra talhada.
Diante da angústia do profeta por ser ele e seus três filhos abandonado pela esposa, Deus lhe dá uma pesada ordem: “Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem bolos de passas. Comprei-a, pois, para mim por quinze peças de prata e um ômer e meio de cevada; e lhe disse: tu esperarás por mim muitos dias; não te prostituirás, nem serás de outro homem; assim também eu esperarei por ti” (Oséias 3:1-3).
Pode ser que Gômer tenha contraído alguma dívida com algum agiota, se vendido como escrava por trabalho ou tenha se associado a algum cafetão, na exploração do ramo sexual. O fato é que Oséias comprou sua própria esposa pelo preço de um escravo, 170g de prata e 330 litros de grãos de cevada (Veja Números 15:11-15). Não era qualquer um que poderia pagar um valor tão alto por alguém. Isso prova que Gômer estava numa situação desesperadora de degradação. Quem sabe os sentimentos que seu coração quebrado carregava ao se ver como a ralé, a escória da sociedade? Provavelmente ela era uma escrava sexual, tratada como lixo, sem qualquer direito ou privilégios. Para conceder um perdão tão caro, é óbvio que Oséias amava muito a sua esposa, e, mesmo que tenha sido ordenado por Deus, seu perdão foi uma profunda demonstração de amor, e um enorme ato de grandeza.
A disposição de Oséias representava a disposição de Deus. O resgate de Gômer representa o resgate de sangue que Deus faria por seu povo, e consequentemente por todos nós, pecadores que adulteraram não só espiritualmente. A dolorosa experiência de Oséias era uma parábola, uma ilustração do amor de Deus, disposto a perdoar um povo que não queria perdão.
Ao ser comprada, Gômer não poderia se unir à família que ela abandonara. Primeiro, ela teria que passar por um período de provação e disciplina que duraria muitos dias. Seria um processo longo e doloroso de purificação, de acordo com a lei de Moisés. A esperança de Oséias é que Gômer entendesse a gravidade de seus atos e o porquê de ela ter chegado àquela situação tão vergonhosa.
Por causa da violência, do roubo, do adultério, da idolatria sistêmica por causa dos bezerros de ouro (Oséias 8:5), Israel estava fadada à destruição total pelos Assírios, em quem eles tanto confiaram. A tribo de Efraim é diversas vezes citada como tendo especialmente se atolado na lama da idolatria. Quando condição política se deteriorou, em vez de Efraim buscar ao Senhor, buscou apoio do império que poucos anos mais tarde destruiria essa tribo (Oséias 5:8-14).
Nem mesmo Judá escapa dos oráculos de Oséias. Embora o culto no Templo de Salomão ainda ocorresse, estava cheio de pompa e vazio cerimonialismo, e a injustiça e idolatria já não causavam surpresa. Por isso, o período de provação de muitos dias de Gômer representa, não só a destruição de Israel como o cativeiro babilônico, onde os judeus permaneceriam por 70 anos deportados de sua amada terra, e do culto no templo de Jerusalém.
Por isso, é que, ao longo dos capítulos posteriores, os oráculos de destruição, cativeiro e abandono da parte de Deus às nações impenitentes se revezam com clamores apaixonados de Deus para que se arrependam dos seus pecados. O livro de Oséias apresenta profecias condicionais em suas repreensões. Se o povo se arrependesse dos seus pecados, Deus operaria a cura. Mas, não foi isso o que aconteceu.
Infelizmente essas profecias se cumpriram, porque Israel, bem como Judá, abandonaram os caminhos do Senhor. “Quando Efraim falava, havia tremor; foi exaltado em Israel, mas ele se fez culpado no tocante a Baal e morreu. As iniquidades de Efraim estão atadas juntas, e o seu pecado está armazenado. Samaria levará sobre si a sua culpa, porque se rebelou contra o seu deus; cairá à espada, seus filhos serão despedaçados, e as suas mulheres grávidas serão abertas pelo meio” (Oséias 13:1, 12, 16).
Quando o povo e os seus líderes políticos e religiosos rejeitaram a mensagem de Oséias, no reinado de Oséias, seu homônimo, o reino sucumbiu à invasão assíria em 722 a.C. Nessa catástrofe, os exércitos de Nínive deportaram boa parte da população, levando-a a outras províncias do império, e colocando pessoas de outras culturas no lugar. Assim, a cultura israelita se perdeu no reino do norte. O único remanescente das dez tribos ficou no reino de Judá. Que fim horrível para uma nação que havia sido escolhida por Deus para ser uma bênção às famílias da terra!
Mas a ira de Deus não se manteria para sempre. “Todavia, o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não se pode medir nem contar; e acontecerá que, no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois meu povo, se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo. Os filhos de Judá e os filhos de Israel se congregarão, e constituirão sobre si uma só cabeça, e subirão da terra, porque grande será o dia de Jezreel. Chamai vosso irmão Meu povo, e a vossa irmã Favorecida” (Oséias 1:10, 11).
Não importa o quanto nos afastemos. Não importa quão adúlteros sejamos! Não importam as encrencas, desventuras e problemas em que nos metamos. Deus é um pai de amor que anseia abraçar seus filhos, colocar uma capa sobre eles e um anel em seus dedos. Por isso, Deus foi tão duro em suas repreensões para Israel e Judá. Porque ele queria livrá-los das duras consequências dos seus próprios erros. O mesmo ele faz conosco.
Entenda, amigo, Deus ama os seus filhos e os repreende, assim como um pai faz com o filho a quem ele quer bem. Nossa vida poderia ser bem melhor se seguíssemos as leis de Deus com amor e gratidão pelo que Ele é e faz por nós. Se o nosso comprometimento com a sua vontade, expressa nos Dez Mandamentos fosse mais real, nós desfrutaríamos de bênçãos materiais, físicas e mentais. Não nos sentiríamos sozinhos, largados à escravidão e degradação do pecado.
Mesmo depois de tanta infidelidade e idolatria, mesmo depois de tanta violência, mesmo depois de conscientemente dizer: Eu não quero você como meu Deus, o chamado amoroso de Deus se fez ouvir: “Volta, ó Israel, para o Senhor, teu Deus, porque, pelos teus pecados estás caído… Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles. Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba, porque os caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão” (Oséias 14: 1, 4, 9).
Se você, amigo, está perdido, volte-se para Deus, que é rico em misericórdia. Ele só esta deixando você mergulhado na sua culpa porque você quer. Ele não vai forçar você a voltar, embora peça insistentemente. Saiba que a graça que criou o Universo e salvou bilhões de pecadores numa cruz só tem uma fraqueza: o poder da sua vontade. Se você negar, ela vai deixar você morrer no seu pecado. Mas, se você aceitar, Deus vai entrar na sua vida e mudar o seu coração, dando a você nova perspectiva de futuro e felicidade eterna.

domingo, 1 de março de 2020

A Semente Crescente.

LEIA:
Mc 4:26-29


Esta parábola é uma das mais enigmáticas que encontramos nos Evangelhos. 

Comentaristas estão divididos quanto à aplicação específica da parábola, então devemos procurar extrair princípios gerais dela, em vez de tentar desvendar um significado secreto.

Esta parábola mostra que o crescimento pode estar ocorrendo mesmo que não possamos observá-lo. 

Isso nos lembra que crescer vem de Deus e não dos nossos esforços. 

Não podemos forçar a mão de Deus, por isso é importante praticarmos a paciência e colocar continuamente a confiança e fé em Deus e em Seu tempo.