24 E lhes digo ainda: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.
“As palavras ‘passar um camelo pelo fundo
de uma agulha’ são uma expressão proverbial semelhante a várias outras usadas
no mundo antigo para descrever uma impossibilidade”.
Em Mateus 19:16-30 (Mc 10:17-31; Lc 18:18-30)
aparecem o relato do jovem rico, que não conseguiu se desvencilhar de suas
posses materiais, e as declarações de Cristo sobre o perigo das riquezas.
Depois que o jovem “retirou-se triste”, Cristo afirmou: “Em verdade vos digo
que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais
fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino
de Deus” (Mt 19:22-24).
Alguns comentaristas bíblicos procuraram minimizar o
efeito paradoxal da expressão “passar um camelo pelo fundo de uma agulha”
reinterpretando o significado dos termos “camelo” e “fundo de uma agulha”.
Por
exemplo, há quem diga que a palavra “camelo” se refira aqui não ao próprio
animal conhecido por esse nome, mas a um “cabo” ou “corda” de navio. Os
defensores dessa teoria se baseiam no fato de que alguns manuscritos bíblicos,
produzidos vários séculos depois de Cristo, trazem nesse verso a palavra “cabo”
em vez de “camelo”. Como no original grego os termos “camelo” (kámelos) e
“cabo” (kámilos) possuem certa semelhança entre si, é provável que alguns
copistas e tradutores do Novo Testamento tenham substituído intencionalmente o
termo “camelo” por “cabo”.
Outra teoria popular pretende identificar o “fundo
de uma agulha” com uma suposta portinhola lateral nos muros de Jerusalém, pela
qual passavam os pedestres quando os grandes portões daquela cidade já estavam
fechados. Embora as portinholas de algumas cidades mais recentes da Síria
fossem denominadas de “olho da agulha”, não existem evidências de que esse era
o caso com Jerusalém nos dias de Cristo.
As palavras “passar um camelo pelo fundo de uma agulha”
são, sem dúvida, uma expressão proverbial semelhante a várias outras usadas no
mundo antigo para descrever uma completa impossibilidade. Mesmo na literatura
judaica posterior aparecem alusões ao “elefante” como incapaz de passar pelo
fundo de uma agulha. Sendo que os discípulos estavam bem mais familiarizados
com o camelo do que com o elefante,
Cristo decidiu contrastar o maior dos animais
da Palestina (o camelo) com o menor dos orifícios conhecidos na época (o fundo
de uma agulha).
As tentativas de interpretar o “camelo” como um cabo e o
“fundo de uma agulha” como uma portinhola acabam enfraquecendo, portanto, a
força do argumento de Cristo.
O texto de Mateus 19:16-30 deixa claro que o
propósito de Jesus era levar Seus discípulos a entender a completa
impossibilidade de alguém, semelhante ao jovem rico, ser salvo enquanto ainda
apegado às suas riquezas.
O problema não está nas riquezas em si, mas no apego
indevido a elas. Mas quando o ser humano aceita o convite à renúncia de si
mesmo ( Mateus 16:24-26), aquilo que é “impossível aos homens” se torna possível
ao poder transformador da graça divina (Mateus 19:26).
TOME POSSE DA PALAVRA DIVINA E SIGA EM FRENTE!
DEUS SEJA CONTIGO, HOJE E SEMPRE.
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