domingo, 30 de dezembro de 2018

Jesus (As Parábolas)...

LUCAS 10
25 Um mestre da Lei se levantou e, querendo encontrar alguma prova contra Jesus, perguntou: – Mestre, o que devo fazer para conseguir a vida eterna?

LUCAS 6
27 – Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: amem os seus inimigos e façam o bem para os que odeiam vocês.
28 Desejem o bem para aqueles que os amaldiçoam e orem em favor daqueles que maltratam vocês.


 "Uma vítima de assaltantes e um bom samaritano": 

Já lemos e ouvimos essa parábola tantas vezes a ponto de correr o risco de cair na armadilha do clichê banal e repetido. Talvez possamos observar o texto sob outra perspectiva, diferente do costumeiro sermão “moralizador”. O personagem envolvido na conversa com Jesus, e também os participantes da parábola, merecem nossa atenção e podem esclarecer alguns aspectos do texto que talvez passem desapercebidos. 

Em primeiro lugar, as circunstâncias. Logo após o retorno dos setenta e dois discípulos, Jesus vivencia um momento de alegria ao constatar a capacidade dos incultos e pequeninos (os próprios discípulos) de compreender os mistérios ocultos do reino. 

Então surge um “perito na Lei”, pronto para testar Jesus com uma pergunta capciosa. Mais uma vez, é preciso lembrar que em todas as discussões jurídicas ou estritamente religiosas travadas por Jesus, seus oponentes costumam ser mestres da Lei ou fariseus. 

Depois que Jesus responde à pergunta e passa no teste, o perito tenta novamente absolver ou “justificar” seu comportamento.

A parábola de Jesus apresenta os próprios personagens. Em primeiro lugar, a vítima, um homem cuja origem ignoramos – embora seja possível supor que fosse judeu. Vítima de ladrões, ele poderia estar morto. Se fosse esse o caso, seria uma fonte de impureza ritual para os que se aproximassem ou encostassem nele. Esse fato é fundamental, pois explica o comportamento do sacerdote e do levita. 

Provavelmente eles estavam indo ao templo em Jerusalém, e, caso estivessem com alguma impureza, não poderiam participar do culto. Do ponto de vista jurídico, os dois agiram corretamente. O “Bom” Samaritano é um oximoro* para o pensamento judaico, pois seria impossível que qualquer samaritano fosse considerado “bom”. 

Conhecemos muito bem o ódio eterno e recíproco nutrido por judeus e samaritanos. De todos os viajantes que seguiam na estrada para Jerusalém, foi justamente o samaritano o exemplo da atitude que Jesus esperava de seus seguidores incultos e pequeninos, dispostos a seguir seu caminho rumo ao reino de Deus. O samaritano dá uma demonstração de amor em relação a alguém que pertence ao grupo dos que o odeiam, e que ele odeia. 

Ele paga pelos remédios e pelas despesas necessárias para tratar o estranho – e o faz sem esperar qualquer recompensa ou reembolso. O samaritano age com um filho do Altíssimo, com misericórdia, à semelhança do Pai que está no céu!

Ouso fazer mais uma pergunta: quem, na verdade, era o verdadeiro “próximo” da parábola: o samaritano misericordioso ou a vítima que recebeu como presente a ajuda e a piedade de um inimigo?

oximoro

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