terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Jesus (Perdoa)...

LUCAS 7
36 Um fariseu convidou Jesus para jantar. Jesus foi até a casa dele e sentou-se para comer.
37 Naquela cidade morava uma mulher de má fama. Ela soube que Jesus estava jantando na casa do fariseu. Então pegou um frasco feito de alabastro, cheio de perfume,
38 e ficou aos pés de Jesus, por trás. Ela chorava e as suas lágrimas molhavam os pés dele. Então ela os enxugou com os seus próprios cabelos. Ela beijava os pés de Jesus e derramava o perfume neles.

"Uma pecadora é perdoada e um fariseu justo é repreendido":

As duas passagens desta reflexão resumem os temas centrais e recorrentes no Evangelho de Lucas. O elemento fundamental, mencionado em ambos os textos, é uma refeição ao redor de uma mesa comum. 

Ao longo da vida de Jesus, muitos eventos fundamentais ocorreram ao redor de uma mesa; o mais importante, é claro, foi a Última Ceia com os discípulos. Ele divide a mesa com os amigos Marta, Maria e Lázaro. Ele não se recusa a comer com pecadores e cobradores de impostos – motivo pelo qual alguns o chamam de “comilão e beberrão” (Lc 7:34)

Aceita também o convite dos fariseus, e senta-se (ou reclina-se) à mesa com eles, conforme ocorre neste texto e em outras ocasiões (Lc 11:37-41; 14:1-6). O fato é que Jesus veio chamar o rebanho perdido de Israel, não importa sua condição espiritual ou social. 

A história da mulher que ungiu os pés de Jesus é contada pelos quatro evangelistas. Lucas, porém, é o único que sublinha sua condição de pecadora. Curiosamente, os quatro relatos contêm o elemento da indignação, mas os outros três explicam que o escândalo foi provocado pelo desperdício de um perfume muito caro, que poderia ter sido vendido para ajudar os pobres. 

A história de Lucas segue um rumo diferente. O ponto de partida é cristalino: a atitude tomada pela mulher rompe todas as regras de comportamento social. Só uma escrava lavaria ou ungiria os pés de outra pessoa. A ação da mulher, de ungir os pés de Jesus, é uma demonstração de submissão total. 

Além disso, soltar os cabelos não era gesto que uma mulher decente faria em público. O fato de Jesus consentir em ser ungido por uma pecadora, tornando-se ele mesmo impuro, implica sua incapacidade de identificar a condição dos que vêm a ele – e, portanto, a impossibilidade de ser um verdadeiro profeta. 

Nos quatro relatos, Jesus reage defendendo a mulher, mas só neste o perdão e o amor são destacados com tamanha ênfase. O fariseu, que julga ser um homem justo, não observa as regras mais básicas de hospitalidade e cortesia. Mas a mulher, ciente de sua condição pecadora – e sentindo ter sido libertada do fardo de seus pecados –, demonstra seu amor sem se prender a convenções sociais. 

As palavras de perdão de Jesus simplesmente ratificam o que ela experimentou. Ela não é perdoada porque amou (este seria o caminho normal e humano), mas é um exemplo da realidade do amor de Deus para conosco. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como expiação pelos nossos pecados” (1 João 4:10).

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