sábado, 29 de dezembro de 2018

Jesus (E os Contrastes)...

LUCAS 19
1 Jesus entrou em Jericó e estava atravessando a cidade.
2 Morava ali um homem rico, chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos.

LUCAS 16
19 Jesus continuou: – Havia um homem rico que vestia roupas muito caras e todos os dias dava uma grande festa.
20 Havia também um homem pobre, chamado Lázaro, que tinha o corpo coberto de feridas, e que costumavam largar perto da casa do rico.

 "Dois homens ricos à mesa: um cobrador de impostos e um abastado":

Como já fizemos em outras ocasiões, vamos considerar dois homens contrastantes. Um deles é real e tem nome; o outro é apenas o personagem de uma parábola. Não fosse por isso, seria possível achar que estamos comparando duas “vidas paralelas”. 

Ambos simbolizam um dos temas preferidos do Evangelho de Lucas: a riqueza, nossa relação e o uso que fazemos de nossas posses. Os contrastes e coincidências são notáveis. Vamos vê-los, passo a passo. Na condição de chefe dos cobradores de impostos, Zaqueu pertencia a um dos grupos sociais mais desprezíveis de Israel. 

Eles eram vistos como colaboradores dos romanos, fáceis de serem subornados, propensos a extorquir e explorar o povo. Seu dinheiro estava maculado de culpa e impureza jurídica. 

Quanto ao homem rico, a parábola não lhe confere um nome, e tampouco sabemos detalhes sobre a origem de sua riqueza. Podemos partir do pressuposto de que ele herdou ou fez sua fortuna de maneira legítima. A única coisa que sabemos com certeza é que ele vivia no fausto e ignorava a existência do pobre Lázaro. Neste caso, à exceção do nome, sabemos apenas que Lázaro sofria de extrema pobreza e de algum tipo de doença cutânea. Ele não diz uma frase sequer em toda a narrativa.

Num dado momento, tudo muda para os três personagens. Na parábola, a morte é o ponto da virada. Carregado pelos anjos para o seio de Abraão, Lázaro apenas observa o destino do homem rico, cujo castigo não tem qualquer explicação fora o fato de que ele ignorou o sofrimento de Lázaro. No final das contas, a riqueza é incapaz de comprar uma passagem para ser recebido no seio de Abraão.

Para Zaqueu, o único personagem do mundo real, também há um ponto de virada, no qual tudo muda para melhor. Como sempre, a presença e a ação de Jesus rompem todas as barreiras que os fariseus e mestres da Lei gostam de erguer. Até os cobradores de impostos, pecadores por excelência, podem ser transformados por Jesus, que veio conclamar os pecadores ao arrependimento, “buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19:10)

Há quem torça o nariz para esse sinal incomum de misericórdia, mas Jesus deixa claro que ninguém está excluído do reino de Deus, a não ser que seus desígnios sejam confrontados ou ignorados de maneira muito evidente. 

Ao contrário do rico da parábola – incapaz de compreender a própria situação, ele implora por uma gota d’água –, Zaqueu consegue mudar sua vida, compartilhar suas posses com os pobres, reparar suas faltas... e receber Jesus

O cordeiro extraviado convida o Bom Pastor a entrar em sua casa. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário