quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Jesus (Os Sinais)...

LUCAS 24
13 Naquele mesmo dia, dois dos seguidores de Jesus estavam indo para um povoado chamado Emaús, que fica a mais ou menos dez quilômetros de Jerusalém.

 "Dois discípulos na estrada":

Ver e acreditar são dois verbos que aparecem juntos em todos os relatos da ressurreição do Senhor. Mas temos de reconhecer que nem sempre a antiga expressão “ver para crer” ocorre de forma tão simples, como seria de esperar. O texto do Evangelho de Lucas que estamos lendo nesta reflexão é um exemplo da relação peculiar que pode haver entre visão e audição.

A história é simples. No meio de uma conversa durante a qual eles exprimem sua decepção com os acontecimentos que testemunharam em Jerusalém, dois discípulos ganham a companhia de Jesus. Seus olhos não o reconhecem, e seus ouvidos tampouco compreendem as explicações que ele oferece para revelar o significado oculto de sua morte na cruz. 

Mais tarde, eles se lembrariam que seus corações queimaram naquele momento. Durante o percurso, porém, nem mesmo as palavras de Jesus são capazes de fazê-los entender e enxergar a realidade sob a luz da fé. Só quando eles se sentam à mesa para a ceia, e Jesus “age”, todas as peças espalhadas de seu discurso se encaixam e “os olhos deles foram abertos” (Lc 24:31)

Só então eles compreendem o significado dos acontecimentos – e, finalmente, reconhecem o Senhor ressurrecto ao seu lado. As palavras usadas por Lucas para descrever as ações de Jesustomar, pão, dar graças, partilhar, dar (Lc 24:30) – são as mesmas que encontramos na multiplicação do pão, dos peixes (Lc 9:16) e na Última Ceia (Lc 22:19)

Teriam os dois discípulos reconhecido Jesus porque estiveram também presentes a algum desses dois eventos? Estaria Lucas fazendo uma referência proposital aos sinais usados nas celebrações eucarísticas de seu tempo? É impossível saber. Na verdade, à semelhança dos dois acontecimentos anteriores (ver Lc 9:11 e 22:21-38), as palavras e ações de Jesus caminham juntas. Palavras e sinais, para torná-lo presente entre seus discípulos, naquele momento e também agora.

Tomé queria ver; nós queremos ver, precisamos ver. 

Mas nenhuma das palavras de Jesus (pronunciadas pessoalmente por Ele ou transmitidas a nós por testemunhas) será suficiente para descobri-lo. As únicas palavras capazes de fazer Jesus aparecer diante de nossos olhos são as palavras vivas, que transformam nossa realidade comum no pão da comunhão.

A história termina onde começou: em Jerusalém. Eles haviam deixado a cidade pesarosos; agora, retornavam com uma mensagem de alegria. 

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