terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Jesus (O Anunciado)...

LUCAS 9
18 Certa vez Jesus estava sozinho, orando, e os discípulos chegaram perto dele. Então ele perguntou: – Quem o povo diz que eu sou?

 "Um messias anunciado, rejeitado e exaltado":

Contamos com um rastro de vinte séculos de história cristã, e por isso estamos numa situação privilegiada em comparação aos primeiros discípulos. Sabemos que Jesus se ergueu dos mortos; as formulações teológicas dos primeiros Conselhos Ecumênicos oferecem uma clara visão de quem e o quê Jesus foi – e é. 

Se quisermos compreender os sentimentos, as dúvidas e as expectativas vivenciadas por Pedro e pelos demais, será preciso fazer um esforço para nos colocarmos no lugar deles. Tiago e João vieram de uma família de pescadores, com empregados contratados. Sobre Simão e André, sabemos que também eram pescadores. Sabemos ainda que Simão era casado; Levi era um cobrador de impostos, etc. Então, de repente, eles ouvem o chamado de um sacerdote comum, na rua (seria Jesus um rabino “certificado”?), pedindo que abandonem tudo e sigam-no (Lc 18:28). 

Por quê? Temos de contar com o fator da fé, mas não devemos ignorar uma certa expectativa por papéis pessoais no reino que Jesus anunciava. As palavras de Pedro e as exigências impostas por João e Tiago, que pediram um assento na glória de Jesus (Mc 10:35-45), bem como a reação dos demais, indicam os mal-entendidos ocultos a esses seguidores de Jesus.

Provavelmente Pedro não entendeu que tinha toda razão quando afirmou que Jesus era o “Messias de Deus” (Lc 9:20), e que estava muito distante do conteúdo dessa declaração na mente de Jesus. Por isso fica desconcertado quando é advertido para que não conte a ninguém. Mais desconcertado ainda ele deve ter ficado quando Jesus explicou o caminho que iria seguir: não rumo à glória aspirada por Tiago e João, e sim para um percurso que conduzia à traição, ao abandono, ao sofrimento e à morte. 

Todos devem ter achado que Jesus tinha perdido o juízo – e podem ter pensado que as condições impostas para que aceitassem ser seus discípulos estavam fora do alcance de humildes e pecadores como eles. Pelo menos assim pensou Pedro sobre a própria situação (Lc 5:8).

Oito dias após esse acontecimento, Jesus reúne seus três discípulos mais próximos – aqueles que estarão presentes à casa de Jairo, que o acompanharão e adormecerão (!) enquanto ele ora antes de ser preso. 

Ele os leva para o Monte da Transfiguração. Talvez um pequeno relance de sua glória, ainda que seja uma visão obscura, reforce a confiança dos três e permita que eles transmitam essa segurança aos demais. Teria sido em vão? Embora tenham visto Moisés e Elias com Jesus e ouvido uma voz a voz do céu (“Este é o meu Filho, o Escolhido, ouçam-no!”), os discípulos continuaram com a mente no escuro – e só compreenderiam Jesus, seus caminhos e planos no momento da ressurreição.

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